Curadoria de Artigos: Selecionado de Maio 2023
Leon Hirzsman (Foto: Reprodução)
Leon Hirzsman e suas contribuições para o Cinema Novo Brasileiro
por Itaú Cultural em 15 de Maio de 2023
Diretor, produtor e roteirista, Leon Hirszman nasceu no Rio de Janeiro em 1937, filho de imigrantes judeus poloneses. Aos 14 anos, por influência do pai, entra para o Partido Comunista. Em 1956, ingressa na Escola Nacional de Engenharia, onde funda seu primeiro cineclube. Conclui os estudos, mas não exerce a profissão. Tem o primeiro contato com a realização cinematográfica como assistente na filmagem de Rio Zona Norte (1957), de Nelson Pereira dos Santos. Em 1958, com o cineasta Joaquim Pedro de Andrade, funda a Federação de Cineclubes do Rio de Janeiro e, mais tarde, o movimento Cinema Novo.
Ao aproximar-se do grupo Teatro de Arena – formado, entre outros, pelo diretor Augusto Boal (1931-2009) e pelo ator Gianfrancesco Guarnieri –, participa da montagem da peça Chapetuba Futebol Clube (1959), de Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974). Em 1961, colabora com a fundação do Centro Popular de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE) e dirige seu primeiro filme, "Pedreira de São Diogo", um dos episódios do longa-metragem Cinco Vezes Favela (1962). No longa, também trabalha como produtor. Entre 1963 e 1964, ainda pelo CPC, dirige o curta Maioria Absoluta, agraciado como melhor documentário no Festival de Viña del Mar (Chile), em 1965, e com o Prêmio Joris Ivens, no Festival de Oberhausen (Alemanha), em 1966.
Durante 1965, vive no Chile. Em 1966, de volta ao Brasil, cria a empresa produtora Saga Filmes com o cineasta Marcos Farias (1935-1985). A empresa produz Garota de Ipanema (1967), mas o filme não agrada nem público nem crítica. Em 1972, dirige São Bernardo, que recebe os prêmios Margarida de Prata e Air France de melhor filme. A produção é censurada e desencadeia uma crise financeira na empresa. Em 1979, filma ABC da Greve, montado postumamente em 1990. Com Eles não usam Black-Tie (1981), recebe reconhecimento de público e crítica, com oito premiações, entre elas, o Prêmio Especial do Júri – Leão de Ouro (ex aequo), no Festival de Veneza de 1981. Entre 1983 e 1986, produz seu último trabalho, o tríptico Imagens do inconsciente.
A obra de Leon Hirszman traz forte atuação política e intensa confluência de culturas. Essa característica contribui para pensar o cineasta e sua filmografia, construída para discutir o Brasil e as questões populares de sua época, sem abrir mão do rigor formal.